Pe. José Antonio Boareto

Mensagem para o mês de Agosto

Caros irmãos (as) internautas,

A mensagem para este mês vocacional nasce da paixão e da fé, da vivência adquirida ao ir para Belo Horizonte em Minas Gerais. O que posso dizer desta viagem? Que o Senhor me fez experimentar muitas intuições. Somos estrada, somos caminho, estamos a caminho. Indo pela Rodovia Fernão Dias, contemplava as paisagens, quando parava em algum restaurante ficava a fitar as montanhas, o céu azul, tudo era tão belo.

Foram tantas as impressões que senti ao estar em Minas Gerais, sobretudo em Belo Horizonte. Participar do Congresso da SOTER e lá comunicar meu trabalho, como também ouvir as diversas conferências, estar junto dos professores da PUC, a acolhida por parte dos mineiros na Casa de Retiros São José, sem contar os passeios.

Visitar o mirante e poder contemplar que Deus havia me trazido lá para mostrar o quanto é belo meu horizonte. O mercado central com toda a riqueza produzida em Minas (pimenta, cachaça, queijo), o artesanato, as conhecidas namoradas, a cerâmica do Vale do Jequitinhonha, as canecas de aço e as panelas de ferro.

Tantas impressões, mas quero destacar uma em particular. Depois que terminamos o Congresso ficamos mais um dia em Belo Horizonte e neste resolvi ir passear e aqui digo que nunca tinha visto nada tão lindo como a Praça da Liberdade, e olha que o Lago da Pampulha com a Igreja de São Francisco é maravilhoso. Ao lado desta praça encontra-se o Memorial Minas, não sei nem como explicar esse lugar, você precisa ir lá para conhecer. Não é possível dizer, pois é uma experiência única. E é justamente sobre algo que vivi lá dentro que quero partilhar.

Neste memorial nós podemos fazer como que uma viagem por Minas Gerais, desde o período imperial, e existem diversas salas todas elas

temáticas, e duas me emocionaram muito, numa se fazia uma homenagem a Milton Nascimento e tocava-se se uma canção dele muito bonita que não sabia qual era o nome, mas estava ali atento para tentar guardá-la no coração para depois procurar e a outra era a sala de Guimarães Rosa que como no Grande Sertão Veredas tinha ali o ipê e nós erámos convidados a retirar uma folha do ipê que trazia uma frase retirada desta mesma obra. E a frase que eu retirei dizia: “o senhor me dê um silêncio!”.

Aquilo foi para mim uma resposta divina, entendi o recado, e então comecei a silenciar mais, voltei a ouvir mais a voz do Senhor, e comecei a perceber que realmente estava muito barulhento dentro de mim. Reconheci melhor este vocare (voz) em mim mais uma vez. Lembrei do Papa Bento XVI a dizer: o mundo está surdo de Deus.

Voltei para Campinas, a canção do Milton Nascimento não saía da cabeça, entretanto acredito que era do coração. Procurei a canção e então descobri a riqueza e então juntei as intuições e a percepção que tive e tudo então ficou mais claro. A canção chama-se paixão e fé e fala de uma procissão do povo mineiro no dia da ressurreição do Senhor, que vive numa agonia, mas que põe de lado a dor e esquece a sua paixão para viver a do Senhor.

Entendi a mensagem, como também diz a canção: “velejar, velejei no mar do Senhor, lá eu vi a fé e a paixão, lá eu vi a agonia da barca dos homens”. Sim a vida é velejar no mar do Senhor, tudo que acontece conosco o Senhor permite para que cada vez mais possamos crer nele e que tudo está para ele, assim mesmo vivendo marcado pela angústia, tenho fé e acredito que ele está vivo e ressuscitado por isso ponho de lado a dor e esqueço as minhas paixões (cacofonia – o barulho interior – vozes dentro a lutar) para viver a do Senhor. A paixão é Paixão do Senhor, paixão pela Paixão do Senhor. É ter paixão por Jesus vivendo a Paixão dele, paixão pela humanidade, pela criação, pelos pobres e pequenos.

Neste mês vocacional desejo a você que o Senhor lhe dê um silêncio e se isto for o que você necessita como eu estava precisando, e que assim possa ouvi-lo mais no silêncio que pode sentir em seu coração e deste modo crer que ele está vivo e ressuscitado. Ele convida você a viver a sua Paixão pelo Mundo

e te dá forças para colocar de lado a sua dor e esquecer a paixão, embora sempre marcado pela angústia, nossa condição teologicamente falando de ser pecador (condição humana), e como Igreja que somos vivamos como diz a canção: “a igreja está chamando seus fiéis, para rezar por seu Senhor, para cantar a ressurreição”.

Pe. José Antonio Boareto

Reitor